Mário da Silva Miranda
FILIAÇÃO:
Antônio Joaquim da Silva Miranda e Maria da Glória Duarte Miranda
ANTES DA GUERRA
Nasceu em 26 Fev 1916, na Capital Federal.
Em 6 Mar 1934, oriundo do Colégio Militar do Rio de Janeiro, ingressou na Escola Militar, em Realengo. Em 25 de agosto, realizou o compromisso à Bandeira Nacional e recebeu o espadim de cadete. Em 1935, resultado de sua aplicação nos estudos e de seu garbo e disciplina, em diversas ocasiões representou a sua Unidade e o Exército Brasileiro, entre as quais a visita da Comitiva Presidencial Brasileira às repúblicas da Argentina e Uruguai, em 15 Mai 1935. Por ocasião da revolta do 3º Regimento de Infantaria e Escola de Aviação Militar, ocorrida em 27 Nov 1935, foi elogiado pelo entusiasmo e correção no cumprimento das ordens recebidas, pela lealdade e confiança para com seus chefes.
Em 11 Jan 1937, foi matriculado no curso de Engenharia. Declarado Aspirante a Oficial da Arma de Engenharia, em 11 Jan 1937, foi servir no 3º Batalhão de Sapadores, em Vacaria, RS.
Em 15 Nov 1937, foi promovido a 2º tenente. Em dezembro de 1937, foi transferido para o 1° Batalhão de Pontoneiros, em Itajubá, MG.
Em 22 Fev 1939, transferido por necessidade do serviço, apresentou-se no 1º Batalhão de Transmissores, Batalhão Villagran Cabrita.
Em 6 Out 1939, foi promovido a 1º tenente. Entre 10 de junho e 18 de dezembro, realizou o curso “A” (oficiais) na Escola de Transmissões, na Capital Federal. Em 29 Abr 1941 foi transferido, por necessidade de serviço do Quadro Ordinário (Batalhão Villagran Cabrita) para o Quadro Suplementar Privativo e designado para servir como auxiliar da Seção de Eletricidade da Prefeitura Militar (Deodoro).
Em 19 Ago 1941 foi novamente transferido sendo classificado na 4ª Cia de Transmissões, organizada pelo decreto-lei nº 3.466, de 25 de julho daquele ano.
Em 2 Mar 1942, apresentou-se na Escola de Transmissões, no Rio de Janeiro, oriundo da 4ª Companhia de Transmissões da 1ª Zona, assumindo as funções de instrutor de Adjunto de Direção desse estabelecimento de ensino.
Em 25 Ago 1942, foi promovido ao posto de capitão. No segundo semestre de 1943, dirigiu o Curso de Oficiais de seu estabelecimento de ensino e a Divisão Automóveis de Curso de formação de instrução.
Em 20 Jan 1944, foi transferido para a 1ª Companhia de Transmissões da 1ª DIE. Por ocasião do seu desligamento da Escola de Transmissões, foi elogiado nos seguintes termos: “Por ter sido designado Comandante da 1ª Companhia de Transmissões da 1ª Divisão Expedicionária Brasileira (DIE), é desligado nesta data, o Capitão Mario da Silva Miranda. Desde março de 1942, até esta parte, vem servindo o aludido oficial nesta Escola, por vezes acumulando muitas funções como no ano letivo findo, em que exerceu, concomitantemente as funções de instrutor-chefe dos cursos A e A-1 e instrutor de eletricidade e radiotelegrafia do curso “A”. Oficial disciplinado e disciplinador, trabalhador incansável, competente e eficiente, dotado de alto espírito de cooperação, a que empresta perfeita lealdade e seus conhecimentos de oficial da tropa, pois o capitão Mário da Silva Miranda merecedor deste elogio que ora faço. No seu novo posto, de muito relevo aliás, pois vai comandar a Companhia de Transmissões da 1ª DIE, desejo brilho e felicidades”.
Em 9 Fev 1944, assumiu o comando da 1ª Companhia de Transmissões da 1ª DIE.
Em 20 Set 1944, embarcou no navio de transporte “General W.W. Mann”, que desatracou do Porto do Rio de Janeiro em 22 de setembro, com destino à Itália.
DURANTE A GUERRA
Em 8 de agosto, chegou ao Porto de Nápoles. Em 10 de agosto seguiu, a bordo da “L.C.I. 595” para o porto de Livorno, onde chegou no dia seguinte.
Do porto de Livorno, foi transportado em automóvel para o “Staging Area” nº 3 e, na sequência para o acampamento na vila Rossore (cidade de Pisa).
Em 27 de outubro foi publicado ter sido incorporado ao 5º Exército Norte-Americano.
Em 5 de novembro, deslocou-se com a sua Unidade do estacionamento de Pisa para o Quartel-General Avançado da 1ª DIE, em Porreta-Terme, onde acantonou.
Deslocamentos realizados no comando da 1ª Companhia de Transmissões: de Porreta Terme para Molino del Pallone (5 Jan 1946); de Molino del Pallone para Lizzano in Belvedere (13 Jan); de Lizzano in Belvedere para a região de Gaggio Montano (14 Abr); de Gaggio Montano (Lago Brago) para Zocca, Vignola e Montecchio (23, 24 e 25 Abr). Por fim, deslocou-se com a Companhia de Montecchio para Alessandria (3 Maio).
Em 22 de junho, passou o comando da 1ª Companhia de Transmissões para o seu substituto legal (capitão Hélio Richard) e passou à disposição do Comando da 1ª DIE, seguindo para o acampamento de Francolise, em Nápoles, a fim de retornar para o Brasil, por via aérea.
Em 24 de junho, partiu de (Nápoles) para a África. No dia 27, seguiu do aeroporto de Dakar, Senegal (último porto estrangeiro), com destino ao Brasil. Chegou à Capital Federal em 7 Jul 1945.
Referências elogiosas individuais
– Em 3 Fev 1945, pelo general Mascarenhas de Moraes, comandante da 1ª DIE: “O Capitão Mário Da Silva Miranda, no Comando da Companhia de Transmissões, revela perfeitos conhecimentos técnicos, serenidade, iniciativa e disciplina, que o recomendam como um dos mais preciosos colaboradores de nossas ações no Vale do Rio Reno. Resistindo a todos os fatores adversos que prejudicam a eficiência das transmissões, consegue, pelo exemplo e energia, impulsionar os seus homens de modo a obter um funcionamento perfeito dos meios, com real proveito para o serviço e o Comando da Divisão. Calmo nas horas graves, infatigável destemeroso no exercício das funções, está sempre atento nos interesses pessoais e materiais da Companhia, mantendo, assim o equilíbrio necessário para que possa manter e atender, a qualquer momento, as suas relevantes atribuições, no desenrolar dos acontecimentos. Finamente educado civil e militarmente, modesto, criterioso, leal e dedicado ao Chefe, sabe conquistar o respeito e a admiração dos camaradas e subordinados, dentro dos seus princípios da disciplina. Fazendo do Capitão MIRANDA o melhor conceito possível, ressalto aqui suas destacadas qualidades, apontando-o como um dos que colaboram para que a Força Expedicionária Brasileira, goze de um prestígio saliente neste Teatro de Operações”.
– Em 24 Fev 1945, pelo Major Chefe do Serviço de Transmissões: “Capitão Mário da Silva Miranda – Oficial ainda jovem, mas já dotado de um grande tirocínio nos trabalhos não só técnicos como administrativos em Unidades de Transmissões. Perante os seus superiores e entre seus camaradas, o seu nome já desfrutava de um ótimo conceito, como reflexo das qualidades superiores que ornam o seu caráter. Durante os meses de guerra, em que por várias vezes a Companhia de Transmissões sob seu Comando, ficou diretamente sendo alvejada pela artilharia inimiga, onde a tarefa das Transmissões tem sido muito grande, exigindo por conseguinte, grande esforço dos elementos especializados e em que o funcionamento das Transmissões tem sido real, eficiente e plenamente satisfatório, apesar de todos os fatores adversos, tais como a ação do inimigo, a das viaturas das tropas a dos tanques, e das chuvas, da neve, do intenso frio, etc., o Capitão Miranda tem sempre se imposto de modo a não só justificar aquele conceito em que era tido, como também revelar qualidades de iniciativa e de competência de mais ainda e sobremaneira, o recomendam como Oficial de mérito, à altura das grandes e honrosas responsabilidades onde o destino houve por bem colocá-lo. Finamente educado, civil e militarmente, excessivamente modesto, profundamente leal e dedicado no seu Chefe, organizado e organizador, dotado de elevado espírito de cooperação, disciplinado e disciplinador, amigo de seus camaradas, competente profissionalmente e dotado de moral excelente, revelando nas horas mais graves, por que passou sua Unidade, equilibrada calma e eficiente espírito de iniciativa, é bem o Capitão Mário Miranda, no Comando da Companhia de Transmissões, “the right man in the right place”, durante os momentos perigosos vividos pela Companhia de Transmissões, atingida pelo fogo da artilharia inimiga, ele, pessoalmente, foi infatigável e destemeroso no exercício das suas funções, defendendo os interesses pessoais e materiais da Unidade, que por ele foi organizada com carinho, desenvolvida com afeição e comandada com superior eficiência. A ele, que como Comandante administrativo, tem sabido tão bem articular a ação dos Comandantes de Seções e de Grupos especializados, de modo a nada faltar ao exercício do meu Comando tático, manifesto os meus mais calorosos agradecimentos, elogiando-lhe muitíssimo a brilhante atuação, o, que é bem o reflexo do seu acendrado amor ao Brasil, ao Exército e às Transmissões, a que pertence.”
– Em 1º Abr 1945, pelo Major Chefe do Serviço de Transmissões: “Capitão Mário da Silva Miranda – No Comando de Companhia de Transmissões o Capitão MÁRIO sempre demonstrou muito bom tirocínio nos trabalhos não só técnicos como administrativos. Dirigindo com firme dedicação todos os empreendimentos que têm sido confiados àquela Unidade, desde o início, firmou-se no alto conceito de seus superiores e subordinados. Agradeço-lhe a eficientíssima cooperação que me presta.”
– Em 20 Jun 1945, pelo Comandante da 1ª DIE: “É um ato de inteira justiça que cumpro, ao destacar os excelentes serviços prestados no Teatro de Guerra da Itália pelo Capitão Mário da Silva Miranda, Comandante da 1ª Companhia de Transmissões, no momento em que vemos terminar brilhantemente para as forças aliadas e para as armas brasileiras, a campanha em que de longa data estávamos empenhados. Viajando com o 2º Escalão, reajustou sua Unidade com os elementos que aqui já vinham sendo empregados, e, desde logo, soube transformá-la no perfeito órgão de execução do respectivo serviço, dando o máximo de seu ardor, entusiasmo, competência técnica e habilidade, para que sempre fosse perfeito, como de fato aconteceu, o funcionamento de todos os meios de transmissões, em qualquer fase das operações. Na defensiva imposta pelo inverno, que exigiu uma vigorosa atividade dos nossos homens de transmissões, cuja conduta irrepreensível, espalhava o exemplo de seu Comandante; foi magnífica a atuação desenvolvida pela Companhia, como também foi exemplar o seu emprego nas ações decisivas de Monte Castello e Castelnuovo, onde as ligações rádio e telefônicas constituíam a ossatura do conjunto, numa articulação perfeita explorada com denodo e vigorosa disciplina técnica, enviando as ordens do Comando para os diversos lances de ataque e assinalando a posse dos objetivos atingidos. Na fase agressiva, conquistadas Montese e Zocca, e iniciada a perseguição do inimigo através do Vale do Pó, o uso do telefone foi importante e a rapidez de ação impôs o emprego absoluto do rádio; ainda assim, o Comando pôde ser exercido em toda sua plenitude, graças aos recursos postos a sua disposição e ao zelo, vigilância, capacidade de ação e permanente assistência técnica do Capitão MIRANDA, e pudemos chegar, então, no êxito final. Disciplinado e leal, foi, a todo instante, um Chefe fiscalizador exigente e ativo. Desejando ao Capitão MIRANDA, os melhores sucessos em sua carreira, apresento-lhe os meus agradecimentos com os mais efusivos louvores pela sua atuação na Campanha da Itália”.
Citação para a medalha Estrela de Bronze (EUA)
“O Capitão Mário da Silva Miranda, como Comandante da Primeira Companhia de Comunicações da Primeira Divisão da Força Expedicionária Brasileira, prestou serviços meritórios de novembro de 1944 a maio de 1945, na Itália. Ele demonstrou calma, energia e eficiência no desempenho de suas funções, contribuindo materialmente para o sucesso operacional da sua Unidade. O espírito de cooperação e a sincera devoção ao dever do Capitão Miranda refletem grande credibilidade sobre e ele sobre as Forças Aliadas”.
APÓS A GUERRA
Ao retornar da Itália, permaneceu adido ao Centro de Recompletamento de Pessoal e ao QG da 1ª DIE, até assumir a função de adjunto da Divisão de Ensino da Escola de Transmissões, no Rio de Janeiro.
Em 15 Jan 1946, assumiu o comando da Companhia Escola de Transmissões.
Em 30 Ago 1946, passou o comando da Companhia Escola de Transmissões para ser incluído no estado efetivo da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.
Em 1º Mar 1947, reassumiu o comando da Companhia Escola de Transmissões, permanecendo nesse estabelecimento de ensino até 17 Abr 1948, quando passou à disposição do Estado-Maior do Exército, por ter sido nomeado membro da Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai. Em 25 Mar 1949, foi promovido ao posto de major. Em 21 Out 1950 foi exonerado da missão no Paraguai, permaneceu adido ao Estado-Maior do Exército.
Em 7 Jun 1951, apresentou-se no Batalhão Escola de Engenharia, onde permaneceu até 14 Ago 1952.
Em 12 Out 52 apresentou-se na Escola de Comunicações.
Em 25 Jul 1953, foi promovido ao posto de tenente-coronel da Arma de Engenharia.
Em 12 Fev 1954, foi nomeado para servir na Diretoria de Comunicações.
A partir de 10 Mar 19 55 passou a servir na Escola de Comunicações, onde desempenhou as funções de chefe do gabinete da Subdivisão de Ensino, subcomandante e Subdiretor de Ensino.
O Diário Oficial (D.0.) nº 15, de 18 de janeiro de 1957, publicou o seguinte Decreto: “De acordo com o Art. 1º da Lei nº 288 de 8 de junho de 1948, modificada pela de nº 616, de 2 de fevereiro de 1949, combinada com o Art. 1º da Lei nº 1.156, de 12 de julho de 1950, ao posto de Coronel, o Tenente-Coronel da Arma de Infantaria MÁRIO DA SILVA MIRANDA e transferi-lo para reserva de 1ª classe no posto a que e promovido, nos termos dos Arts. 12, letra ge 13 da Lei nº 2.370, de 9 de dezembro de 1954,e promovê-lo na inatividade ao posto de General de Brigada, na forma do Art. 1º da Lei nº 1.267, de 9 de dezembro de 1950, e Art. 59 da mesma Lei 2.370, com os vencimentos integrais deste último posto, conforme a citada Lei 1.267, observados os arts. 53, da Lei nº 1.316, de 20 de janeiro de 1951, e 7º da Lei nº 2.283, de 9 de agosto de 1954”. Observação: em Diário Oficial posterior, foi publicada a retificação para “Tenente-Coronel da Arma de Engenharia MÁRIO DA SILVA MIRANDA”.
Na referência elogiosa por motivo da passagem para a inatividade, consta: “… cumpre ressaltar dentre as suas atividades através de 25 anos de serviços prestados ao Exército e grandemente devotadas às Comunicações, a organização de 3 (três) Unidades de Comunicações: a 4ª Companhia Independente de Transmissões, a 1ª Companhia de Comunicações da FEB e a Companhia Escola de Comunicações das quais foi primeiro comandante…”.
Em 13 Out 2000, por meio da Portaria nº 562, o Comandante do Exército, concedeu ao 1º Batalhão de Comunicações Divisionário, com sede na cidade Santo Ângelo -RS, a denominação histórica “Batalhão General Mário da Silva Miranda” e o respectivo estandarte histórico, constante do modelo anexo, com a seguinte descrição heráldica: “Forma retangular, tipo bandeira universal, franjado de ouro. Campo de azul celeste, cor da Arma de Comunicações. Em abismo, um escudo francês, mantelado em ponta e filetado de ouro: chefe de azul-celeste, ostentando o símbolo da Arma de Comunicações, de ouro; primeiro campo, de vermelho, contendo uma Cruz de Lorena, representativa da catequese dos padres jesuítas, à frente de uma igreja estilizada, caracterizando as ruínas de São Miguel, patrimônio cultural da humanidade, localizadas em Santo Ângelo-RS, tudo de ouro; segundo campo, de azul, contendo uma cordilheira estilizada, de verde e rajada de branco, na figuração dos Apeninos italianos, onde atuou a Força Expedicionária Brasileira, sobreposta pelo símbolo da FEB, na relembrança da 1ª Companhia de Transmissões da 1ª DIE, comandada pelo Cap Miranda; terceiro campo, de branco, carregado com o símbolo da Arma de Engenharia, de azul-turquesa, à qual pertencia o homenageado, tudo sobreposto a dois raios cruzados, de vermelho, simbolizando as antigas “Transmissões” de nosso Exército. Envolvendo todo o conjunto, a denominação histórica “Batalhão General Mário da Silva Miranda”, em arco e de ouro. Laço militar nas cores nacionais, tendo inscrito, em caracteres de ouro, a designação militar da OM”.
MEDALHAS E CONDECORAÇÕES
- Medalha Cruz de Combate de 2ª Classe
- Medalha de Campanha
- Medalha de Guerra
- Medalha Militar de Prata
- Medalha do Pacificador
- Medalha Croce di Guerra al Valor Militare (Itália)
- Medalha Estrela de Bronze – Bronze Star (EUA)
- Membro Honorário do IV Corpo de Exército (EUA)
- Medalha Ordem Nacional del Merito, grau Oficial (Paraguai)
FONTES
– Folhas de Alterações do período da guerra (cedidas pelo Arquivo Histórico do Exército)
– Folhas de Alterações e resumo biográfico (cedidas pelo 1º Batalhão de Comunicações – Batalhão General Mário da Silva Miranda)
CRÉDITOS
Museu Virtual da FEB / Fröhlich, Sirio S.
