Paulo Campos Paiva

FILIAÇÃO:
Carlos Benvindo de Paiva e Maria Campos Paiva


ANTES DA GUERRA
Nasceu em 12 de fevereiro de 1923, em Valença, RJ. Ficou órfão do pai aos dois anos de idade e ajudava sua mãe entregando marmitas de almoço em várias residências.
Estudou em escola pública e ingressou por concurso na Escola Militar do Realengo, onde se graduou aspirante a oficial de Infantaria na Turma Tuiuty, de 8 de janeiro de 1944.
Foi servir no então 19º Regimento de Infantaria, em Salvador, BA, de onde saiu para se incorporar à Força Expedicionária Brasileira (FEB) como voluntário.
Apresentou-se no 1º Regimento de Infantaria (Regimento Sampaio), Unidade da FEB, e assumiu o comando do Pelotão de Canhões Anticarro do 1º Batalhão, sob o comando do então Major Olívio Gondim de Uzêda.
Partiu para a Itália em 22 de setembro de 1944, a bordo do navio de transporte General Meigs.

DURANTE A GUERRA
No final de novembro de 1944, o adestramento do Regimento Sampaio foi suspenso pela metade e a Unidade se deslocou, na noite de 28 daquele mês para participar do ataque a Monte Castelo, no dia seguinte, ataque que não foi bem sucedido.
No período de dezembro de 1944 a fevereiro de 1945, quando as operações ofensivas aliadas foram suspensas, pela chegada do inverno, participou de missões de patrulhas, integrou a defesa do flanco esquerdo do IV Corpo de Exército/EUA em Belvedere, e prosseguiu na preparação de seu pelotão para a retomada da ofensiva em 18 de fevereiro de 1945.
Participou da tomada de Monte Castelo em 21 de fevereiro e do prosseguimento das operações do Regimento sobre as regiões de La Serra, Soprassasso, Castelnuovo, Pietra Colora e Zocca, no rompimento das Linhas Gótica e Gengis Khan, onde os alemães tentaram bloquear o acesso a Bolonha e ao Vale do Rio Pó.
Foi promovido a 1º Tenente ainda na Itália, durante a guerra.
Elogios individuais
– A 9-II, foi aprovado o elogio formulado pelo major Olivio Gondim de Uzêda, comandante do 1º Batalhão, nos seguintes termos: “Comandante do Pelotão Anticarros, dentro de suas funções, executou trabalhos excelentes, particularmente a colocação de duas peças em posição quase inacessíveis, onde se notou a força de vontade e a tenacidade no saber querer. O emprego dos canhões em tais posições apresentou resultados excelentes, quer sobre tanques e casamatas inimigas. Acumulando durante quase dois meses as funções de oficial de motores, desempenhando-as com acerto, de modo que o Batalhão dispusesse do máximo de suas viaturas nesta fase de campanha. Possuidor de espírito de cooperação, é auxiliar prestimoso”.
– A 2-IV, foi elogiado pelo Coronel Aguinaldo Caiado de Castro, comandante do Regimento, nos seguintes termos: “Tomou parte na defesa do Subsetor Belvedere, garantindo a segurança do exposto flanco esquerdo da operação do IV Corpo de Exercito, fazendo agressiva sondagem para NE. Bem dentro do Território inimigo, do que resultou o desmantelamento de suas reservas que progrediram e a captura de numerosos prisioneiros com a correspondente e valiosa identificação das Unidades em nossa frente, conforme expressões do Exmo. Sr. Gen. Cmt. do IV Corpo. A defesa do Subsetor, nas condições em que foi feita, depois de exaustivos esforços dispendidos nos ataques ao Monte Castelo e Bela Vista-La Serra, representa uma demonstração de rara energia, espírito de sacrifício e destemor no cumprimento de missões de guerra, que o torna digno dos maiores elogios do renome do Regimento Sampaio e da admiração de seu Comandante”.
– A 30-VI, foi aprovado o elogio formulado pelo Major Olivio Godim de Uzêda, comandante do 1º Batalhão, nos seguintes termos: “1° Tenente Paulo Campos Paiva – Oficial Anticarros do Batalhão, durante todas as operações na Itália, ultimadas pelas ações da ofensiva da Primavera, que deu a vitória aos aliados, não foi unicamente Oficial Anticarros que soube exercer com acerto; seu grande espírito de cooperação permitiu que muitas vezes fosse utilizado em diversas missões. No Quarteirão Belvedere-Querciola-Rocca Corneta, estudou e empregou com acerto, suas peças de canhão cobrindo e protegendo o Quarteirão das possíveis penetrações de blindados, nas estradas que a ela conduzia, ao mesmo tempo que organizou e instalou uma solida barragem interna com três peças de metralhadora Ponto 50, cuja eficiência já em fase anterior se fizera notar. Dentro do seu espírito de soldado, fora de sua função, comandou uma patrulha sob a região de Marne, a que deu fiel desempenho, demonstrando coragem e as suas grandes possibilidades como tenente fuzileiro. Durante a ofensiva de Monte Belgaro-Righetti, que levou em rápida perseguição ao inimigo, o Batalhão, a Samone (Vale do Panaro), manteve as suas peças sempre prontas em acompanhamento as companhias de fuzileiros, sempre em condições de cumprir missão, enquanto com as metralhadoras Ponto 50 acompanhavam os primeiros elementos fazendo-lhes a proteção dos flancos em um apoio afastado. Na fase final das operações, quando da defensiva que cobria o Vale do Pó contra as possíveis penetrações dos elementos remanescestes das destroçadas Divisões Alemães depois de cerrado o seu pessoal e material, para o dispositivo do Batalhão, ainda a situação não estava esclarecida, comandou uma patrulha motorizada sobre a margem W. do Arroio Trevia, a que deu pleno desempenho. Ao Tenente Paiva o comandante do Batalhão agradece a sua cooperação e o aponta como oficial de grandes possibilidades para o Exército”. [Obs: foi efetuada a atualização ortográfica das referências elogiosas]

APÓS A GUERRA
Em 1946, casou-se com Regina Dirce Rocha Paiva, com quem teve dois filhos que seguiram seus passos e se tornaram oficiais da Arma de Infantaria.
Permaneceu no Regimento Sampaio até 1951. Como Capitão, em 1952, realizou o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), lá servindo como instrutor do Curso de Infantaria até 1955, ano em que foi promovido a major.
Nos anos 1956, 1957 e 1958 fez o Curso de Altos Estudos na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). De lá foi transferido para Recife, PE, onde serviu na 7ª Região Militar e no Comando do IV Exército até meados de 1961.
Transferido para a Guarnição de Niterói, RJ, pouco tempo depois foi movimentado para o Estado-Maior do Exército (2ª Subchefia), no então Estado da Guanabara. Foi promovido a tenente-coronel em 1963.
Em 1964/1965, quando servia no Quartel-General do antigo Grupamento de Unidades Escola (Vila Militar do Rio de Janeiro), foi sondado, aceitou e foi nomeado comandante do 1º Batalhão do Regimento Escola de Infantaria, integrante da FAIBRAS – Força Armada Interamericana Brasileira – em missão da Organização do Estados Americanos na República Dominicana, país submetido a violenta guerra civil.
Sua destacada atuação no comando do Batalhão em operações do tipo “imposição da paz”, envolvendo ações de combate, agregou muito à sua já relevante carreira. Diante de desafios sucessivos, confirmou alta capacidade de liderança, coragem moral e física, competência profissional, senso de dever e equilíbrio emocional já revelados na FEB. Após um ano, regressou ao Brasil e, em 1967, foi nomeado comandante do então 6º Batalhão de Caçadores, em Ipameri, GO, missão que desempenhou com entusiasmo e que sempre lembrou com grande satisfação.
De 1968 a 1970, comandou o Corpo de Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), sendo o último Veterano da FEB a exercer tão importante cargo. Aprimorou a formação dos futuros oficiais, provendo aos cadetes do 4º ano a realização de estágios e cursos no Centro de Instrução de Guerra na Selva e no Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil.
Após entregar o comando do Corpo de Cadetes, serviu no Gabinete do Ministro do Exército, de 1971 a meados de 1973, quando foi nomeado Adido Naval e do Exército junto à Embaixada do Brasil na ltália, voltando ao País que ajudou a libertar como Pracinha da FEB.
Foi promovido a general de brigada em 1975, e comandou a 13ª Brigada de Infantaria Blindada, com sede em Ponta Grossa, PR.
Em 1977, fez o Curso de Altos Estudos Políticos e Estratégicos da Escola Superior de Guerra e, de 1978 a 1980, exerceu a chefia de Gabinete do Estado-Maior do Exército, onde foi promovido a general de divisão e nomeado comandante da 5″ Região Militar/Divisão de Exército, sediada em Curitiba, PR, comando que exerceu entre os anos de 1981 e 1983.
Como general de exército, chefiou o Departamento-Geral do Pessoal (DGP) em 1984, e comandou o então III Exército (1984/1985), quando fez a sua transição para Comando Militar do Sul.
Encerrou a carreira como Ministro de Estado Chefe do Estado Maior das Forças Armadas – EMFA (1986/1987), sendo transferido para a reserva quando era o último Veterano da FEB ainda no serviço ativo, em setembro de 1987, com cerca de 48 anos de serviço ativo.
O general de exército Paulo Campos Paiva faleceu em 11 de agosto de 2005, em Brasília, tendo sido o primeiro presidente de honra da Legião da Infantaria no Distrito Fedaral. Líder militar admirado, respeitado e estimado pelos pares e subordinados, o General Paiva foi valente soldado e nobre cidadão, além de dedicado e amoroso esposo e pai de família.
Por sua marcante e destacada passagem pela AMAN e por todos os seus feitos de bravura ao longo da carreira, a Academia lhe prestou justa homenagem, por meio de uma exposição permanente, na Biblioteca Acadêmica – Biblioteca Marechal José Pessoa –, acerca da sua exemplar vida profissional, com fotos, artigos pessoais e textos, e com o batismo do primeiro núcleo voltado para a simulação na AMAN com o seu nome, o Centro de Aplicação de Exercícios de Simulação de Combate General Paiva (CAESC).
Meu pai tinha muito orgulho de ter defendido a democracia, com risco de vida, por duas vezes. Na 2ª Guerra Mundial contra o nazifascsmo e na “Guerra Fria” contra o comunismo. Guardo dele algo que sempre dizia quando um problema ou situação afligia a um de nós na família: “não há de ser nada, pior é na guerra” (General Rocha Paiva, filho do Veterano da FEB aqui biografado).

 

MEDALHAS E CONDECORAÇÕES

Recebeu diversas medalhas e condecorações nacionais e estrangeiras:

– Medalhas e Condecorações da participação na FEB – Cruz de Combate de 2ª Classe por ações meritórias em campanha, Medalha de Campanha e Medalha da FEB.

– Medalha de Tempo de Serviço, Medalha do Pacificador, Ordens do Mérito Militar, Naval e Aeronáutico e Medalhas das Associações de Veteranos da FEB e de Ex-Combatentes.

– Medalhas da OEA, FAIBRAS e do Exército dos EUA, por sua participação na Missão de Paz na República Dominicana.

– Medalhas de nações estrangeiras, inclusive da Itália, onde foi Adido Naval e do Exército.

– Medalhas e Condecorações de Instituições Nacionais e de Estados da Federação onde ocupou cargos de Chefia e Comando.


FONTES:
– Cap Bruno Leal da Silva. Referência: Exposição do Museu Histórico da AMAN sobre o General Paiva.
– Revista Verde Oliva nº 232/2016). “Personagem da Nossa História – General Paulo Campos Paiva”. Centro de Comunicação Social do Exército, Brasília – DF.
Observação: texto de autoria do general de brigada reformado Luiz Eduardo Rocha Paiva.

CRÉDITOS
Museu Virtual da FEB