Apollo Miguel Rezk

FILIAÇÃO
Miguel Jorge Rezk e Suraya Mussalli Rezk

 

ANTES DA GUERRA

Filho de imigrantes (pai libanês e mãe síria), nasceu no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro de 1918.

Estudou no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Em 1935 tentou ingressar na Escola Militar do Realengo. Seus pés planos e a reprovação em Física impediram a realização do sonho de ingressar na carreira militar.

Chegando à idade de prestar o serviço militar, ingressou no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) da 1ª Região Militar, atual CPOR do Rio de Janeiro.

Em 1939, após concluir o terceiro ano do Curso de Infantaria em 10º colocado em uma turma de 70 alunos, foi declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria.

Em 1940 formou-se perito-contador na Escola Superior de Comércio do Rio de Janeiro.

De 31 Maio 1941, iniciou o estágio de instrução e serviço na 9ª Companhia do 1º Regimento de Infantaria (RI) – Regimento Sampaio. Foi desligado do serviço ativo em 30 de agosto por término do referido estágio.

Em 17 Dez 1942, já segundo-tenente, apresentou-se no 1º RI por ter sido convocado e classificado na Unidade; foi incluído na 4ª Companhia, como subalterno.

Em 1943, concluiu o bacharelado em Ciências Econômicas na Faculdade de Administração e Finanças da Escola de Comércio do Rio de Janeiro.

Em dezembro de 1943, foi promovido a primeiro-tenente.

Até o embarque para a Itália, diversas referências elogiosas dos comandantes da Companhia, do Batalhão e do Regimento destacam disciplina consciente, lealdade, patriotismo, zelo profissional outros atributos que atestam o seu alto valor pessoal e militar durante a formação e o adestramento dos soldados do 1º RI para integrarem a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE).   

Em 22 Set 1944, o navio de transporte de pessoal Gen. Mann desatracou do porto do Rio de Janeiro, levando-o para a guerra.

 

DURANTE A GUERRA

Durante o deslocamento para a Itália, desempenhou a função de auxiliar de compartimento. Pelo desempenho nessa função, seguindo ordem do general Cordeiro de Farias, comandante do Grupamento, o tenente-coronel Ademar de Queiroz, chefe dos encarregados de compartimentos, louvou o primeiro-tenente Apollo nos seguintes termos: “Cumpro o dever de participar a V. Exa. que o 1º Tenente Apollo Miguel Rezk, que desempenhou durante a viagem de transporte do 2º Escalão da Força Expedicionária Brasileira do Rio de Janeiro até Nápoles, a bordo do navio General Mann, as funções de auxiliar do compartimento, sempre se conduziu, no cumprimento de tão árdua e trabalhosa incumbência com a maior boa vontade, dedicação e tato, revelando, em todas as oportunidades o extremo interesse pelo serviço, inexcedível zelo e maior preocupação em relação à disciplina e ao conforto da tropa, e bem assim, à conservação e limpeza do navio a seu cargo. Graças à assistência ininterrupta e ao interesse pelos serviços manifestados por esse oficial, de um lado, e, de outro, ao alto grau de disciplina e compreensão do dever da tropa, o serviço dos compartimentos ocorreu sempre debaixo da mais completa ordem. Por todas essas razões que acabo de externar a V. Exa., o oficial em apreço se tornou credor dos meus melhores agradecimentos e louvor”.

Em 6 Out 1944, desembarcou em Nápoles, seguindo para o acampamento na região de Bagnoli, subúrbio de Nápoles.

Em 9 de outubro, deslocou-se, por via marítima, de Nápoles a Livorno, de onde seguiu para o acampamento em Vechie (V. de Pisa). 

Em 13 de novembro, deslocou-se para o acampamento de Filettole, de onde seguiu, no dia 19, para Borgo Capanne, nas proximidades de Porreta Terme. Naquele local, o 2º Batalhão do 1º RI substituiu o 3º Batalhão do 6º RI. Na noite de 20 para 21 de novembro entrou em posição na linha Palazzo-Cá di Orsino-Africo-Rocca Pitigliana.

Em 23 de novembro, já reintegrado ao 1º RI, o batalhão rechaçou três ataques alemães. Permaneceu em linha com o batalhão até 5 de dezembro, sofrendo intensos bombardeios de artilharia, morteiros e armas automáticas, repelindo mais cinco ações ofensivas.

Em 10 de dezembro, deslocou-se para a linha Morro del’Oro-Casa de Guanela-Cá di Berto.

Em 12 Dez 1944, tomou parte do ataque ao Monte Castelo, ação reconhecida em boletim interno pelo comandante do 2º Batalhão, major Syzeno Sarmento (vide abaixo).

Em 15 de dezembro passou à disposição do IV Corpo de Exército, em Borgo Capanne, com o 2º Batalhão, até 6 Jan 1945. Nesse período, o batalhão sofreu pesados bombardeios de artilharia e teve muitas baixas.

A partir do dia 7 de janeiro, o batalhão substituiu elementos do 6º RI no Destacamento Nelson de Melo, permanecendo em situação de normalidade até 9 de fevereiro, realizando patrulhas de reconhecimento e busca de informações.

Em 11 de fevereiro, o batalhão concluiu o deslocamento de Riola a Porreta. Em 18, deslocou-se para a região de Grociale-Vivalle. A partir do dia 19, a sua Companhia concluiu a tomada do dispositivo para o ataque ao Monte Castelo, vindo a sofrer forte bombardeio da artilharia alemã.

No dia 20, enquanto a 10ª Divisão de Montanha desfechava forte ataque ao Monte Belvedere, no flanco Oeste, o batalhão postou-se, ajustando fogos, organizando o terreno, lançando minas nas estradas e fortes patrulhas, enquanto aguardava a ordem para atacar o Monte Castelo.

Em 21 de fevereiro tomou parte, com o batalhão, da ação contra o Monte Castelo, atacando-o pelo flanco Leste do 3º Batalhão. Ao fim da tarde, após uma jornada de cruenta luta devido à intensa resistência da posição fortemente defendida, foi conquistado o Monte Castelo. Após a consolidação da ocupação, frações do seu batalhão prosseguiram para conquistar a Cota 952-La Serra. Nessa jornada, por voltas das 23h do 23 de fevereiro, foi gravemente ferido em ação; a sua atuação em combate, mesmo após ferido, foi destacada em referência elogiosa pelo comandante do 1º RI e serviu de base para a concessão da medalha Cruz de Serviço Distinto pelo Exército dos EUA, honraria concedida a quem se destaca por extrema bravura e risco de morte em combate.

Em 24 Fev 1945, foi baixado à Companhia de Evacuação por ter sido ferido em ação, permanecendo hospitalizado até 23 de março.

Em 8 de abril, de volta à tropa, entrou em linha na região de Tamborini-Sassomolare, em substituição a elementos americanos, participando de diversos embates com os alemães.

Embarcou de volta ao Brasil em 22 de agosto de 1945.

Referências elogiosas individuais

– Pelo comandante do 2º Batalhão do 1º RI, major Syzeno Sarmento: “Primeiro-tenente Apollo Miguel Rezk, pela maneira brilhante com que se conduziu na manutenção do quarteirão Affrico-Região Sudeste de Rocca Pitigliana, rechaçando cinco ataques alemães e suportou com estoicismo o bombardeio de artilharia e morteiros do inimigo, que ocupava posições dominantes em toda a frente. Acresce que era o batismo de fogo da nossa tropa e o exemplo desse oficial e a compreensão e disciplina de seus comandados fizeram com que fossem honradas as tradições do nosso Exército”.

– Pelo comandante do 2º Batalhão: “Pelo entusiasmo e bravura de que deu sobejas provas no ataque do dia 12 [de dezembro], avançando com seu Pelotão, ultrapassou as primeiras organizações inimigas e assaltou as casamatas, sendo colhido por fogos intensos das armas automáticas pela frente, flancos e retaguarda, só retraindo depois de sofrer numerosas perdas e ser impossível manter o posto atingido”.

– Pelo comandante do 1º RI, coronel Aguinaldo Caiado de Castro: “Tomou parte na conquista e manutenção da Cota 952-La Serra, apesar de intenso bombardeio, forte resistência e vários contra-ataques inimigos, facilitando o avanço das tropas norte-americanas no flanco esquerdo, garantindo para as mesmas nova base de partida e realizando operações audaciosas e de grande alcance para o prosseguimento das operações do conjunto”.

– Pelo comandante da 6ª Companhia, capitão Wolfango Teixeira de Mendonça: “1º Tenente Apollo Miguel Rezk, para quem cada ação de combate é um pretexto para a evidenciação de suas belas qualidades de soldado, pela excelência no comando do Pelotão, conduzindo ao objetivo mais pelo exemplo do denodo do seu chefe do que por simples ordens aos subordinados. Conquistou La Serra, em cujas ruínas se manteve até ser evacuado, algumas horas depois de ferido. Sua posição era cercada de posições de metralhadoras inimigas à esquerda, à frente e à direita, e ao todo, as mais próximas das quais distavam cerca de quinze metros do objetivo alcançado e as mais afastadas, oitenta metros. Suportou contra-ataques e esteve cercado durante quase toda a primeira noite. Fez cinco prisioneiros, enquanto no comando do pelotão, ferido em combate, cerca das 23 horas do dia 23, só pôde ser evacuado na manhã seguinte, cerca das 10 horas, devido ao intenso bombardeio de artilharia e morteiros a que estava sujeito sua posição. Sua audácia em marcha para o objetivo fixado, que sabia fortemente defendido, se completou com a decisão de manter o objetivo conquistado e que sentiu vigorosamente hostilizado pelo adversário. E que, mesmo ferido, contra-atacado e cercado, momento algum pensou em retrair, revelou bravura, firmeza, acerto de decisão, excepcional calma com a presença do inimigo, exata noção dos seus deveres em combate e por elevado sentimento de honra militar e superior capacidade de sacrifício. Confirmou o excelente conceito de que já desfruta no Regimento”.

– Pelo comandante do 1º RI: “Tomou parte na defensiva do sub setor Belvedere, garantindo segurança do exposto flanco esquerdo de operações do IV Corpo de Exército, fazendo agressivas sondagens para Nordeste, bem dentro do território inimigo, do que resultou o desmantelamento de suas reservas que progrediam e a captura de numerosos prisioneiros para a correspondente valiosa identificação das Unidades em nossa frente, conforme expressões do Exmo. Sr. Gen. Cmt. do IV Corpo. A defesa do subsetor, nas condições em que foi feita, depois de exaustivos esforços despendidos nos ataques ao Monte Castelo e Bella Vista-La Serra, representa uma demonstração de rara energia, espírito de sacrifício e destemor no cumprimento de missões de guerra, que o tornam digno dos maiores elogios, do renome do Regimento Sampaio e da admiração de seu comandante”.

– Pelo comandante da 6ª Companhia: “1º Tenente Apollo Miguel Rezk, oficial de bravura já reconhecida e cujas qualidades características, calma em presença do inimigo, análise de situação nas oportunidades críticas, segurança na condução de seus homens e perseverança no cumprimento da missão, mais uma vez, foram postas em evidência, tanto no comando do seu pelotão em situação defensiva, em Boscacio, como, impulsionando-o, por ordens e pelo exemplo, na região de Castelnuovo”.

– Pelo comandante da 6ª Companhia: “1º Tenente Apollo Miguel Rezk, por sua galharda atuação como comandante do pelotão de fuzileiros na frente de Sassomolare, no período de 8 a 21 de abril de 1945, tendo sua Companhia substituído tropa americana, operação realizada à noite e em contato com o inimigo. Ao seu Pelotão coube a defesa da parte central do maciço de Sassomolare. Posteriormente, deslocamentos sucessivos levaram-no a posição mais avançada, na região do ponto cotado 744, em contacto mais cerrado com o adversário. Dessa nova base de partida, por duas vezes, em dias diferentes, seu pelotão se lançou ao ataque na cota 758, através do terreno fortemente minado e contra posições fortemente defendidas. Suas posições foram violentamente bombardeadas pelo adversário e o seu pelotão sofreu pesadas baixas. Na fase de exploração do êxito, que se seguiu à conquista da cota 758, o seu Pelotão, impulsionado pelo seu exemplo, atravessa, a princípio, um terreno densamente minado, desce, em seguida, uma encosta escarpada e atinge, finalmente, o ponto cotado 622, após a sua árdua progressão de 3 quilômetros, uma esplêndida demonstração de energia, de audácia e de firmeza no cumprimento da missão. Por ocasião do segundo ataque do seu Pelotão à cota 758, no dia 15 de abril, quando mais forte e concentrado se fazia sentir o bombardeio inimigo sobre os seus três grupos de combate, e dada a impossibilidade de continuar a progressão através do terreno minado e a inutilidade de manter-se nos locais atingidos, o seu pelotão recebeu ordem de retrair para posições mais abrigadas; nessa oportunidade, e após ter feito os seus homens retraírem, o tenente Apollo, em companhia do mensageiro, soldado Alcides da Costa Wolff, reafirmando mais uma vez sua proverbial bravura, retrai com espetacular e dramática serenidade, sem sequer acelerar o passo, indiferente às manifestações de presença adversária, não sem antes perguntar pelo rádio: Capitão, o pelotão já retraiu. O que devo fazer? Retraio também ou fico onde estou?”.

Citações de Combate

– Consignada pelo comandante da 1ª DIE, Gen. Mascarenhas de Moraes: “1º Ten. Apollo Miguel Rezk, do 1º RI. Em 23/02/945, o seu pelotão integrava a 6ª Companhia no ataque à linha La Serra-Cota 958, e no conjunto da subunidade, cabia-lhe apossar-se de La Serra. Na primeira parte da noite, se lança em ação, não obstante, o violento bombardeio de artilharia e de morteiros que caem sobre o terreno, o pelotão progride, alcança o objetivo, investe contra a posição e nela se instala sumariamente. Não terminou, porém, o esforço do pelotão do tenente Apollo. Imediatamente, os alemães contra-atacam, sem resultado, porém, uma vez que a resistência dos brasileiros é forte e tenaz. O tenente Apollo, ferido, só na manhã seguinte pôde ser evacuado por causa dos constantes bombardeios e dos contra-ataques inimigos. A personalidade forte, o espírito de sacrifício, a combatividade, a tenacidade e o destemor do tenente Apolo constituem belos exemplos dignos da tropa brasileira”.

– Citação referente à concessão da medalha Estrela de Prata – Silver Star (EUA)

“Apollo Miguel Rezk, primeiro-tenente de infantaria da Força Expedicionária Brasileira, por bravura em ação em 12 de dezembro de 1944 em Monte Castelo, Itália. Comandando o seu pelotão através de intenso fogo de metralhadoras e morteiros, o tenente Apollo chegou até a posição alemã, assaltou-a e continuou o seu avanço. Chegando em Fornelo, seu pelotão recebeu intenso fogo de frente, de flanco e da retaguarda. Porém, o tenente Apolo tenazmente manteve a posição até ser forçado a se retrair em virtude de pesadas perdas. O seu bravo comando no combate reflete as elevadas tradições dos exércitos aliados”. (publicado no Boletim Interno do 1º Batalhão de Guardas, de 24 Out 1950, e transcrito no Histórico do Pessoal Militar)

– Citação referente à concessão da medalha Cruz por Serviço Notável – Distinguished Service Cross (EUA)

 “Apollo Miguel Rezk, primeiro-tenente de infantaria da Força Expedicionária Brasileira, por heroísmo extraordinário na ação de 24 de fevereiro de 1945, em La Serra, Itália. Foi confiada ao 1º tenente Rezk a missão de comandar o seu pelotão no ataque e ocupação de La Serra. Na frente de determinada resistência inimiga, a despeito de campos de minas desconhecidos, terreno excessivamente difícil e forte oposição, o primeiro-tenente Rezk conduziu galhardamente os seus homens através de uma cortina de fogo de metralhadoras, morteiros e artilharia para assaltar e arrebatar o objetivo inimigo, embora gravemente ferido quando dirigia o ataque, o primeiro tenente Rezk nunca hesitou: pelo contrário, continuando firmemente o avanço. Depois de colocar o seu pelotão em posição, repeliu três fortes contra-ataques, inflingindo pesadas perdas aos alemães pela sua habilidade na direção do tiro. Depois, embora em posição vulnerável ao fogo das casamatas do inimigo circundantes e a despeito das bombas que caíam e da gravidade dos seus ferimentos, o primeiro-tenente Rezk defendeu resolutamente La Serra contra todas as tentativas fanáticas dos alemães para retomar a posição. Pelo seu heroísmo, comando inspirado e persistente coragem, o primeiro-tenente Rezk praticou feitos que refletem as mais altas tradições do serviço militar”. (tradução juramentada publicada no Boletim Interno do 1º Batalhão de Guardas, de 24 Out 1950, e transcrita no Histórico do Pessoal Militar)

 

APÓS A GUERRA

De volta da Itália, permaneceu na 6ª Companhia do Regimento Sampaio.

Em 25 Ago 1945, recebeu a medalha Cruz de Combate de 1ª Classe, por sua destacada atuação na campanha da FEB, na solenidade alusiva ao Dia do Soldado, no “Forte Duque de Caxias”.

Em 21 Fev 1946, em solenidade alusiva à tomada de Monte Castelo – campanha da qual participara na Itália –, recebeu a medalha Sangue do Brasil.

Em 20 Abr 1946, foi excluído do 1º RI por ter sido matriculado no Curso de Oficiais da Reserva da Escola Militar, a funcionar no CPOR/1ª RM.

Em 15 Nov 1946, representou o CPOR/RJ nas solenidades alusivas à sessão inaugural da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 

Em 2 Jun 1947, foi desligado, a pedido, do Curso de Oficiais da Reserva, permanecendo adido ao CPOR.

Em 4 Dez 1947, apresentou-se no 1º Batalhão de Guardas, no Rio de Janeiro.

Em 27 Maio 1951, casou-se com a Srta. Ivette Andrade Antunes.

Em 8 Set 1951, o Diário Oficial da União publicou a sua promoção ao posto de capitão: “Promoção a Capitão. Requerimento despachado. A 20 de setembro de 1951, foi público que pelo Exmo. Sr. Ministro foi despachado, em 24 de agosto de 1951, um seu requerimento solicitando promoção ao posto de capitão, em virtude de haver sido proposto pelo Comandante da F.E.B.: deferido – Lavra-se o Decreto promovendo o 1º Tenente R/2, arma de infantaria, convocado, APOLO MIGUEL REZK, ao posto de Capitão, de acordo com o Art. 2º do Decreto Lei nº 5.484, de 1º de maio de 1943, combinado com o Art. 1º do Decreto Lei número 5.857, de 1º de novembro de 1943. O requerente, proposto para promoção ao posto de Capitão, em Ofício de 30 de maio de 1945, pelo General Comandante do 1º Escalão da F.E.B., deveria ter sido promovido, deveria ter sido ter sido a sua promoção encaminhada pela Diretoria de Recrutamento ao Ministro da Guerra, de acordo com a determinação ministerial contida no Memorando nº 3.473, de 19 de novembro de 1944, no período de maio de 1947 a 17 de junho de 1947, quando já satisfazia todos os requisitos para promoção, em data, portanto, anterior à vigência do Aviso nº 641, de 17 de junho de 1947, que suspendeu as promoções dos Oficiais R2 ao posto de Capitão e Superiores. A promoção se justifica, sobretudo, em virtude da conduta excepcional desse Oficial no Teatro de Operações da Itália, onde, entre diversas condecorações recebidas por bravura, lhe foi conferida a medalha ‘Distinguished Service Cross’, do Exército Americano, por heroísmo extraordinário em ação, distinção máxima somente concedida a este combatente brasileiro”. (Copiado do Diário Oficial nº 206, de 8 de setembro de 1951). Observação: Decreto publicado no Diário Oficial de 6 Jun 1953 determina que a sua antiguidade no posto de Capitão deve retroagir a 2 de maio de 1947.

Em 4 Jun 1952, foi deferido pelo Ministro da Guerra o seu requerimento de permanência no serviço ativo do Exército, como oficial convocado, até a idade limite permitida.

Ao ser desligado do 1º Batalhão de Guardas, foi louvado pelo seu comandante, coronel Silvino Castor da Nóbrega, nos seguintes termos: “O Capitão APOLLO MIGUEL REZK serviu durante cinco anos nesta Unidade, demonstrando, em todas as circunstâncias, um notável bom humor e invulgar espírito de sã camaradagem. Oficial dotado de excelente caráter e de inexcedível noção de cumprimento do dever, tornou-se um auxiliar de absoluta confiança, sempre pronto a atender, com lealdade e devotamento, a qualquer solicitação do Comando. No Teatro de Operações da Itália, o Capitão Apollo destacou-se pela coragem, firmeza de propósitos e espírito de sacrifício, merecendo as melhores referências de seus superiores hierárquicos, sendo o único oficial brasileiro a ser agraciado com a medalha ‘Distinguished Service Cross’; na paz, confirmou as extraordinárias qualidades evidenciadas em campanha. Ao louvá-lo pelo muito que fez pelo Batalhão de Guardas, este comando lamenta perder o concurso de quem se impôs pela por sua excelente formação moral”.

Em 17 Set 1952, foi designado para servir na Diretoria Geral do Pessoal, no Rio de Janeiro, onde permaneceu até 3 Out 1955.

Em 28 Nov 1955, apresentou-se no Quartel-General da 5ª Região Militar/5ª Divisão de Infantaria, em Curitiba, PR, por ter sido nomeado ajudante de ordens do comandante da 5ª RM/5ª DI, função na qual permaneceu até ser exonerado, obrigado a afastar-se do Paraná por motivo de força maior.

Em 22 Ago 1956, retornou à Diretoria Geral do Pessoal, no Rio de Janeiro.

Em 22 Out 1956, foi excluído do Quadro de Oficiais da Reserva de 2ª Classe (R/2) e incluído no Quadro Auxiliar de Oficiais.

Em 29 Maio 1957, foi julgado incapaz temporariamente para o serviço do Exército, sendo-lhe concedidos 45 dias para o seu tratamento.

Em 3 Dez 1957, o Diário oficial publicou o Decreto de 14 Nov 1957, por meio do qual foi promovido ao posto de major e reformado por ter sido julgado incapaz definitivamente para o serviço do Exército por junta de inspeção de saúde para tal designada. Segundo o biógrafo Sérgio Monteiro, o major Apollo viu interrompida a sua carreira devido a fortes dores nos pés planos, situação agravada pelo esforço em combate e ao congelamento nas trincheiras da Itália, bem como na rotina da atividade militar.

Na referência elogiosa consignada por ocasião da sua passagem para a reserva consta o seguinte: “Ao deixar esta sessão, por ter sido reformado, o major QAO de Infantaria, Apolo Miguel Resk, que serviu nesta DPA cerca de 5 anos, cumpre-me o grato dever de ressaltar suas excelentes qualidades, pois sou conhecedor de seus marcantes predicados de militar e cidadão. Sua reforma, após 15 anos de Exército Ativo, no qual prestou bons serviços na paz e relevantes na guerra, deixou uma lacuna lamentável, pois o seu exemplo dignificante, principalmente por haver prestado serviços distintos, bem simboliza o valor do soldado brasileiro. Da sua fé de ofício, verifica-se que sempre primou pela disciplina e zelo em todas as suas atividades, predicados estes que, aliados a muitos outros que até se tornaria enfadonho ressaltar, marcaram de maneira indelével a trajetória do Major APOLLO na caserna, onde soube conquistar a confiança e amizade de seus chefes, bem como o respeito e a admiração de seus subordinados. A vida militar desse camarada, que deixa a caserna coberto de glórias, representa uma página muito significativa de bons serviços prestados ao Exército e à Pátria. O Major APOLLO, depois de ter prestado o serviço militar durante vários anos, regressa ao convívio civil, certo de ter cumprido o seu dever, onde será recebido com alegria para continuar trabalhando com entusiasmo, abnegação e sacrifícios, numa demonstração inconfundível de ser um bom filho, bom esposo e bom pai”.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 21 Jan 1999. Ao sepultamento, no cemitério do Caju, compareceram familiares, ex-combatentes da FEB e amigos, bem como quase uma centena de oficiais R/2, que formaram uma Guarda de Honra. Um pelotão do Regimento Sampaio executou as honras fúnebres. A Embaixada dos Estados Unidos enviou, de Brasília, um oficial superior, fardado, para representá-la.

Em 2006, foi lançado o livro “O Resgate do Tenente Apollo”, no qual os tenentes R/2 Sérgio Pinto Monteiro e Orlando Frizanco, relatam histórias do herói da FEB, militar e cidadão que honrou e deu destaque à História da FEB, do Exército e do Brasil.

Em 1999, o Conselho Nacional de Oficiais da Reserva instituiu a “Medalha Major Apollo Miguel Rezk”, no intuito de homenagear militares e civis que tenham se destacado em ações que visam a apoiar os oficiais da reserva.

Também em 1999, a Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHMTB) criou uma cadeira especial em homenagem ao Major Apollo Miguel Rezk, que tem como ocupante, desde a criação, o 2º Ten. Sérgio Pinto Monteiro, que, como o homenageado, é oficial da reserva formado no CPOR/RJ.

Desde 2022, o “Grupamento Apollo Rezk” participa de desfiles cívico-militares e exposições de viaturas e artefatos que remetem à participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Ao usar a denominação do herói que, por seus atos de dedicação e bravura, fez-se merecedor do destaque no âmbito da FEB  e dos exércitos aliados, a entidade civil sem fins lucrativos Associação Histórico-Cultural Monte Castelo difunde a história das Forças Armadas Brasileiras mediante a promoção da cultura militar, da defesa e da conservação do patrimônio histórico, cultural e artístico a elas relacionados em palestras em escolas e quarteis, com ênfase na Força Expedicionária Brasileira.

 

MEDALHAS E CONDECORAÇÕES

  • Medalha Cruz de Combate de 1ª Classe
  • Medalha de Campanha
  • Medalha Sangue do Brasil
  • Medalha de Guerra
  • Medalha Militar de Bronze
  • Membro Honorário do IV Corpo de Exército (EUA)
  • Medalha “Distinguished Service Cross” (EUA)
  • Medalha “Silver Star – Estrela de Prata (EUA)

FONTES

Histórico do Pessoal Militar (Folhas de Alterações) cedido pelo Arquivo Histórico do Exército; e artigo de Sérgio Pinto Monteiro, publicado em https://cnor.org.br/wp/2023/02/09/major-apollo-um-resgate-da-historia (acessado em 1º Dez 2025)

 

CRÉDITOS

Museu Virtual da FEB / Fröhlich, Sirio S.